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150 Anos depois, o quadro regressa ao Tribunal de Contas. Os dois protagonistas – Autor e Retratado – ligados, de forma diferente mas duplamente simbólica, à história desta Casa.
Miguel Ângelo Lupi como funcionário do TC, com a categoria de Amanuense, que pôde abraçar em definitivo a carreira das Artes graças ao impulso da encomenda deste retrato por parte do Tribunal de Contas.
D. Pedro V, O Esperançoso, o monarca da Regeneração, em cujo reinado foi aprovada a reforma do Tribunal de 1859 que consolidou a independência do Tribunal.
Na cerimónia estiveram presentes, o Presidente do Tribunal de Contas, a Directora do Palácio Nacional da Ajuda, Dra. Isabel Silveira Godinho, o poeta António Osório de Castro que evocou a vida e obra do pintor.
Pintor na encruzilhada do romantismo e do realismo, Miguel Ângelo Lupi nasceu em Lisboa a 8 de Maio de 1826 e morreu a 26 de Fevereiro de 1883.
Foi aluno da Academia de Belas Artes entre 1841 e 1846 mas a sua dedicação exclusiva à pintura não foi imediata.
Entre 1849 e 1860 foi funcionário público: primeiro como amanuense na Imprensa Nacional (1849), a que se seguiu uma estadia de dois anos em Angola como contador da Junta de Fazenda daquela então Província, vindo a ingressar no Tribunal de Contas como aspirante de 2ª classe em 1855.
A estadia no Tribunal de Contas foi decisiva para o novo rumo que a sua carreira e a sua vida tomaram. Em 1859, já promovido a amanuense, foi-lhe encomendado pelo Tribunal de Contas (era então Presidente o barão de Porto de Mós) um retrato a óleo do soberano, D. Pedro V.
Foi este retrato, concluído em 1860, que lhe granjeou sucesso junto do público e lhe valeu a atribuição de uma pensão do Estado para estudar em Roma, para onde partiu no mesmo ano e onde permaneceu até Janeiro de 1864.
Para estudar a arte da Pintura em Itália, foi-lhe concedida uma licença sem vencimento por 2 anos (prorrogados por mais 1 ano) e, finalmente dedicado à sua verdadeira vocação, não mais regressou ao exercício de funções no Tribunal de Contas.
Terminado o período de estudo em Itália, regressa a Portugal fazendo uma passagem por Paris onde tem um primeiro contacto com o realismo.
Já em Portugal, foi nomeado professor interino da Academia de Belas Artes logo no ano do seu regresso em 1864 e, 4 anos depois, foi provido no cargo de professor de Pintura de História, cargo que ocupará até à sua morte em 1883.
Em 5 de Maio de 1868 é exonerado do cargo de amanuense do Tribunal de Contas precisamente por ter sido nomeado professor da Academia de Belas Artes.
Paralelamente à actividade docente, desenvolveu uma intensa produção artística destacando-se essencialmente no retrato e na pintura de história.
2011-02-03
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